Segundo as últimas informações divulgadas já são 84 mortes confirmadas, outras 276 pessoas continuam desaparecidas. O crime trabalhista em Brumadinho superou o total de 69 trabalhadores que morreram no desabamento do pavilhão de exposições do Parque da Gameleira em Belo Horizonte no ano de 1971.
Do ponto de vista jurídico, acidente de trabalho “é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados”. Usando esse termo técnico é possível afirmar que o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão em Brumadinho (MG) já é o maior “acidente” de trabalho da história do país ultrapassando o número de mortos do que é considerado o pior “acidente” de trabalho da construção civil brasileira. O caso de Brumadinho ainda tende a se agravar dado que as buscas continuam e o número de desaparecidos continua muito alto.
No episódio de 1971 mencionado, 69 operários foram soterrados após a obra do pavilhão desmoronar. Testemunhas na época disseram que as autoridades ignoraram os avisos dos trabalhadores sobre problemas na estrutura e continuaram apressando. Os governantes então se eximiram de qualquer responsabilidade, o pedido de indenização para vítimas e familiares foi ajuizado apenas quase 10 anos depois e somente 33 anos depois a indenização para parentes das vítimas e sobreviventes da tragédia foi concedida pela Justiça, por responsabilidade também do então governador do estado Aécio Neves (PSDB).
No entanto, em ambos os casos fica claro que o termo “acidente” não serve para descrever os crimes cometidos pelas empresas e governantes envolvidos até o pescoço em esquemas de corrupção, negligência e impunidade, sempre interessados nos lucros dos capitalistas, sejam empreiteiros ou mineradores, em detrimento da vida de dezenas e dezenas operários que acabam perdendo sua saúde e até mesmo morrendo quando se arriscam dia a dia para garantir os seus sustentos e de suas famílias.
Não bastasse o episódio de Mariana em 2015 quando o rompimento da barragem do Fundão matou 19 pessoas além de ser o maior desastre do país em termos ambientais, e que segue impune mas que poderia ter servido como lição, a Vale e os governos estaduais e federal sujam mais uma vez as mãos de sangue operário.
É preciso lutar pela re-estatização da Vale e de todos os serviços, sem nenhuma indenização a esses parasitas que lucram com as riquezas do país e mesmo sobre os nossos cadáveres continuam enriquecendo, colocando-a sob gestão de seus trabalhadores e especialistas do meio ambiente, com controle popular para garantir as mais seguras práticas de mineração e trabalho, para que as grandes fortunas do subsolo do país sirvam não mais aos interesses dos imperialistas, mas sim do povo brasileiro, garantindo saúde, educação, transporte e moradia a milhões de pessoas.
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Crime em Brumadinho se torna o pior "acidente" de trabalho do Brasil
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Por Rádio Transrio Manga
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