Gunter Zibell: Para reestabelecer a paz, precisamos restabelecer a verdade - Rádio TRANSRIO

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Gunter Zibell: Para reestabelecer a paz, precisamos restabelecer a verdade

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(Gunter Zibell) Mas o que é mesmo necessário para que haja paz? O que pode ser a verdade, hoje?

Que ambos os lados compartilhem da mesma base de informações e fatos.

Com o advento dos blogs e redes sociais as pessoas foram se afastando dos fatos e passaram a viver em suas bolhas de pós-verdades.

Isso não deveria ser pessoal, mas, como as pessoas querem que seja, pois assim será.

O que eu acho do momento atual:

Existe uma onda a favor de mais mercado menos estado.

Meus amigos progressistas não gostam que eu fale disso. Mas eu sou economista e penso que isso é verdade.  Uma economia eficiente é uma aspiração legítima da sociedade.

Mas também penso que esse é o único argumento consistente do campo conservador.

Bolsonaro foi necessário para evitar o PT.

Falso. O que aconteceu é que Alckmin (PSDB) e Meirelles (MDB) foram ainda mais boicotados que Haddad (PT).

E não é necessário ser reacionário para ser a favor de economia de mercado.

Há uma onda conservadora no mundo.

Falso. Há uma onda xenofóbica e protecionista nos países ricos, que receberam de 20 a 50% de mão-de-obra imigrante nas últimas quatro décadas de Globalização. Mas ninguém pensa em expulsar imigrantes já estabelecidos.

E reduzir novos fluxos migratórios é de interesse mais de sindicatos que das elites contratantes.

E há uma onda fundamentalista em países não-ocidentais (Rússia, Polônia, Turquia, Irã.)

Mas não há no mundo ocidental (Europa Ocidental, Américas e Oceania) a combinação exótica (e contraditória) do Brasil atual: ultraliberalismo, fundamentalismo e antiambientalismo.

As vitórias recentes de AMLO (México) e dos Democratas nos EUA são demonstração de que o populismo reacionário não é típico do Ocidente Liberal.

Será, inclusive, muito divertido ver Bolsonaro prestar continência para uma futura mulher presidenta dos EUA e de partido democrata.

O único outro país ocidental com governo populista, hoje, é a Itália. Mas apenas na xenofobia, porque metade da coligação (o M5S) é formada por ativistas dos mais variados.

Em quase todos os países ocidentais temos casamento gay. Naqueles fora da América Latina temos aborto. E em vários temos a despenalização da maconha.

As posições dos conservadores brasileiros são anacrônicas e muito mais antiquadas do que ocorre no Mundo Liberal.

Querer ser contra a Ideologia de Gênero é apenas ridículo. Ser contra a despenalização da maconha é apenas atrasado.

Os “resistentes” não gostam do Brasil.

Falso. Se queremos um Brasil melhor é necessário falar dos problemas.

Se deixarmos o governo Bolsonaro implantar acriticamente sua agenda antissocial o que ocorrerá é uma menor popularidade. Isso leva a receio dos deputados para se reeleger em 2022. O que leva a menor aprovação de projetos de interesse para a economia.

O Macarthismo foi abandonado pelos próprios EUA em 1958, por se perceber que pensamento crítico é necessário para a própria manutenção do Sistema.

A resistência é necessária.

Sem dúvida. A maioria não se importa com as questões de minorias e ativistas, porque não é afetada. Só que isso não elimina as questões.

As guerras culturais continuam, independente das pessoas conservadoras quererem que elas sumissem.

A única solução para reduzir a tensão das guerras culturais é, por óbvio, começar a atender às demandas. Mas o governo Bolsonaro é justamente contrário a todas!

Há muitas medidas ruins e antissociais já anunciadas pelo novo governo. E não existe uma única medida defensável.

A economia irá melhorar

Há essa expectativa, mas não há porque ser muito otimista.

Reduzir a progressividade dos impostos é algo que só existe na Rússia. O que levou esse país a ter a maior concentração de renda em países industrializados e menor participação de MPEs na criação de empregos.

A ideia de acabar com o Super Simples é distópica. Paulo Guedes irá prejudicar a viabilidade de 4 MM de PJs, envolvendo 10 MM de seus próprios eleitores?

E as privatizações são um falso dilema. São apenas mudança de portfólio, pois as 30 maiores empresas do mundo valem, cada uma, mais que a soma de estatais brasileiras. E, mesmo que todas fossem privatizadas, isso apenas arranharia a dívida pública.

O importante aqui é que “bem comum” não deve se sobrepor a direitos humanos.

A oposição deveria se comportar agora

Não. Por muitos motivos.

Durante 16 anos quem hoje está na situação não se furtou a criticar o governo;
Há uma falsa simetria – e isso é muito importante: os governos de Lula, Dilma e Temer nunca ameaçaram a existência da “maioria”;
Democracia não é o simples atendimento de desejos de maioria, mas o respeito ao estado de direito para todos;
As classes médias, usadas politicamente, não serão beneficiadas. Todo o projeto é voltado para a mineração de áreas indígenas e expansão da fronteira agrícola.
Então é melhor já ir se acostumando à Resistência. Talvez agradecer à sua existência, por não ser alienada.

 O que pode ser feito como resistência?

- anunciar já que em 2020 e 2022 não se votará em projetos conservadores morais ou antissociais;

- expor explicitamente que se é oposição. Quanto mais isso for feito nos ambientes presenciais, escolas, igrejas e empresas, mais difícil fica para o pensamento único se impor como hegemonia cultural;

- já que há mimimi com a “f-word”, usar os sinônimos: ultradireita, populismo, reacionarismo, neoconservadorismo, passadismo, macarthismo, autoritarismo;

- estimular a troca de ideias com opositores. O ideal seria existir uma rede como as gays Grindr e Hornet, em que se sabe logo quem é resistente. Poderia chamar “Rxist” (com essa moda de eliminar as vogais dos nomes.) Mas há artifícios: procure nos posts de seus amigos conservadores quem faz comentários contra o regime, os adicione e aumente a divulgação de matérias “True News”.

- mostre para parentes e amigos que você não concorda com a imposição de não se fazer oposição.

Se um governo é ruim, é democracia se fazer oposição. O constrangimento que fique com quem elegeu o governo.

E, se a vitória de um governo reacionário não é surpreendente, surpresa é as pessoas se manterem numa posição de omissão e alienação.

Tem que mudar isso aí, talquei?

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