(Henrique Matthiesen) Carregamos em nossos DNAs as marcas permanentes do nosso violento e brutal processo de colonização de duas vertentes que se conciliaram e agiram, indistintamente, na desculturalização de nossas três matrizes étnicas: a indígena, a europeia e a africana.
Os parâmetros dos colonizadores - que visavam lucros para metrópole e a salvação divina dos bárbaros - eram os paradigmas inegociáveis dos dominadores sob os dominados.
Durante os primeiros séculos da nossa colonização iniciara-se a “jornada civilizatória”, embutida no sentimento de alerta extremo, a aflição incomensurável dos castigos e do açoite, e a agonia de se perder a salvação.
Afinal, a ordem social era sagrada; inalterável, uma providência divina que somente o salvador - o detentor da vida eterna - era capaz de alterar; e assim fora doutrinado pelos vencedores.
Lembra o antropólogo, Darcy Ribeiro: “A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e, machucar os pobres que lhe caem às mãos.”
Não podemos nos olvidar de que a formação de nossa classe dominante carrega em si o aniquilamento, por meio das mais bárbaras ações de seus dessemelhantes; e, posteriormente, a manutenção de sua condição de privilegiada por meio da tortura, do assassinato e do doutrinamento. Não titubeia em brutalizar, é ávida aos golpes quando se sente ameaçada em seus privilégios, e faz do Estado um mero aparelho serviçal à disposição de suas demandas, na maioria das vezes amorais.
Constitui-se aqui uma casta ranzinza, azeda, medíocre e violenta; diferentemente de outras experiências colonizadoras é despossuída de qualquer lastro de nacionalidade, jamais constituiu um projeto de nação, e é conformada na bajulação e subserviência dos interesses externos.
Mantenedora da ordem social pelo artifício do medo segrega e labora para a manutenção de nossa pirâmide social perversa e desigual, além de se utilizar do argumento divino e da não hesitação do uso da violência para seus desígnios.
Tolhe de todas as formas a compreensão e a efetivação da luta de classes, uma vez que, qualquer sinal de reação é inibida das formas mais atrozes. Porquanto carrega em si a herança dos senhoris e da autoridade imposta.
Para finalizar sentencia Darcy Ribeiro: “As elites brasileiras são cruéis. Elas asfixiam as massas mantendo-as na escuridão da ignorância. As escolas não cumprem com o papel de educar e preparar os meninos do Brasil. Só vamos acabar com a violência quando resolvermos a questão da educação.”
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A classe dominante perpetua-se pelo medo
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Por Rádio Transrio Manga
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