Afinal, por que estudar história? - Rádio TRANSRIO

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Afinal, por que estudar história?

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(Prof. Mestre Paulo Robério F. Silva) Como Ciência a História é o campo do saber que lida com a existência do homem e de tudo aquilo que a ele está relacionado. Como saber popular, a história nos remete ao passado, no sentido que a partir do presente procuramos dialogar com aquilo que já aconteceu e que nos são revelados por meio dos vestígios. Como saber escolar, a História permite ao homem não apenas visitar o passado, mas, sobretudo, questionar a própria existência em busca de compreender o mundo em suas diferentes facetas.

Então, afinal, por que estudar história? O Prof. Dr. Caio Cesar Boschi no livro Por que estudar história? contribui para que possamos responder a esta pergunta a partir de um conjunto de argumentos que nos leva a refletir sobre como este conhecimento científico (transformado em escolar) tem sido fundamental para a existência da própria humanidade. Sem a pretensão de aprofundar as questões propostas por Boschi vamos, neste breve texto, apontar alguns aspectos que indicam a essencialidade da formação de uma consciência histórica consistente.

Boschi nos instiga, como primeira abordagem, a compreender o mundo a partir dos questionamentos. Ou seja, o mundo não nos apareceria como algo natural ou como revelação, mas os seus diferentes sentidos, dados pelos homens conforme os seus tempos e espaços, emergiriam do diálogo que estabelecemos a partir do mundo em que vivemos com o próprio passado e, inevitavelmente, com o futuro.

“É preciso desconfiar”. Quando fazemos isto necessariamente vamos em busca de vestígios, ou seja, algo que nos ajude a construir os argumentos que precisamos para responder às perguntas que foram feitas quando desconfiamos.

Se assim fizermos, começamos a descobrir porque as coisas são assim e não de outra forma. Neste momento começamos a fazer e a viver a história. Tiramos da realidade a sua condição de naturalidade ou de revelação. Colocamos nesta realidade vivida, observada, refletida e significada a historicidade. Na verdade, trazemos para o presente aquilo que estava “guardado no tempo”. E deste encontro entre o presente e o passado utilizamos como convidado ilustre o futuro.  

A história, portanto, é um exercício permanente de relação entre as nossas ações, pois vivemos, transformamos e somos transformados pelo mundo, e os sentidos que damos a este mundo. Na práxis, ou seja, na relação entre ação e teoria, produzimos a consciência da realidade. Por isso, a História é o saber que lida com a existência do mundo.

Seria, portanto, desvelando o mundo que nos deparamos com as diferenças culturais. Isto é chamado pelas Ciências Sociais e Humanas de multiculturalismo. Somos bilhões de humanos na terra. Milhões de forma de organização social, política, familiar, religiosa, econômica etc. nos caracterizam. Somos o homo sapiens, mas, para além de pertencermos à mesma espécie animal, somos completamente distintos nos modos de vida. Ao compreendermos este multiculturalismo aprendemos um dos elementos essenciais do que é sermos cidadãos. Isto quer dizer: membros de uma nação que tem como uma de suas principais características a multiplicidade de manifestações culturais.

Como sujeitos da história, pois agimos e refletimos sobre as diferentes formas em que nos organizamos coletivamente, seria preciso ainda estar atento para mantermos um permanente estado de compreensão da realidade. Afinal, o tempo não pára. Tudo está em constante processo de mudança. A história, como o tempo e o espaço, vibra a cada instante; se inventa e se reinventa carregando em si mesma permanências e provocando rupturas. Assim, a História está viva.

A História, portanto, é aquilo que nós somos. Por meio do ontem, do amanhã e do presente podemos dar sentido ao mundo, compreender os fenômenos da realidade, desvelar o imponderável. Por meio dela é possível ainda, entre tantas outras coisas, compreender o nosso próprio lugar em relação ao mundo. Tomar ciência do sujeito sócio-histórico que nós somos.

E, embora a História possa ser manipulada ela é inevitável à nossa existência. Por isso Boschi nos alerta: “O que lembramos e o que esquecemos pode servir à libertação humana, mas também pode contribuir para a servidão, para o domínio de determinados grupos”.


* Historiador; especialista em História e Cultura Afro-brasileira; Mestre em Sociologia, Antropologia e Ciência Política pela PUC Minas. Autor do livro: Manga: encontro com a modernidade (2010) e de Terra de Contato (no prelo). 


CLIQUE AQUI E ACESSE TEXTOS SOBRE A HISTÓRIA DE MANGA E DA REGIÃO.



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