Armando Coelho Neto: Dono do Brasil toma o país de volta - Rádio TRANSRIO

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Armando Coelho Neto: Dono do Brasil toma o país de volta

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Dono do Brasil toma o país de volta (PT e a ilusão de ser maior)

(Armando Rodrigues Coelho Neto) Cena 1. Eu era presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal e, tratando de assunto de interesse da categoria, ouvi do Chefão da PF: não sei quem manda no Brasil. Converso com o presidente Lula, ele me parece sereno e sincero. Chama ministros, assessores, toma decisões e batem o martelo. Saio da reunião, certo de que o assunto tratado está resolvido. Passa o tempo e nada acontece. Para ele, era como se algo ou alguém na obscuridade tomasse as decisões. Cá comigo, eu me dizia que o país tinha e tem dono, o PT ganhou nas urnas o direito de assinar papeis, sem nunca chegar ao poder.

Cena 2. Eu estava no interior de São Paulo, onde um ex-vereador de uma pequena cidade estava a receber o título de Cidadão do Município. Conversa vai, conversa vem, ele disse: você não é PT e vota no PT. O rio quando nasce é pequeno, a água é limpa e transparente. Mas, quando cresce as águas se avolumam, se tornam turvas e violentas. Ao passar pela curva arrasta todo o lixo das margens. O rio PT arrastou lixo na primeira curva e isso não vai dar certo. O PT vendedor de estrelinha na Praça da Sé, em São Paulo, vai transbordar feio quando a chuva chegar. Com meus botões, me disse: é como evangélico de araque, que quer o bem bom agora e não nos Jardins do Eden.

Cena 3. Sem ordem cronológica, o PT está crescendo e pode ganhar eleições. Vamos impor a lei seca, às vésperas das eleições. Na Polícia Federal, corruptos de carteirinha começam a construir discurso de esquerda, de olho na curva do rio. O comércio recebe recomendações para não permitir conversa política nos bares: é armação petista pra fazer campanha proibida. A militância do PT mostra força na boca de urna e cresce mais. Fazer boca de urna vira crime. Empresários reunidos na Av. Paulista decidem que “Lula não pode ser presidente de jeito nenhum”. Fernando Collor de Melo (candidato da Globo e das elites) leva Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, para dizer que ele lhe ofereceu dinheiro para ela abortar. A TV Globo edita o último debate entre Collor e Lula. Vale o decidido na Av. Paulista.

Cena 4 - Com 61,27% dos votos válidos, Lula é finalmente eleito presidente e, apesar da Cena 1, se torna o melhor presidente da história. Os donos do Brasil não gostaram. Lula era o macaco na cristaleira que iria quebrar tudo, era pra ter caído no primeiro mandato. Lula se reelege e elege Dilma Rousseff, que também se reelege. O prazo de validade da democracia de fachada vence. Eclode o golpe com supremo e tudo. Mas não pode dizer que é golpe. Na maior farsa jurídica nacional, quiçá do mundo, Lula é condenado, preso. A justiça tenta legitimar o golpe, rasga a Constituição, atropela a Organização das Nações Unidas e a farsa eleitoral se consuma dentro de outra farsa, que sai vitoriosa. O Coiso vence na fraude, mas ainda não pode chamar nem de fraude nem de golpe.

Cena 5 - No dia 19 de dezembro deste ano, atendendo pedido judicial do PCdoB, o ministro Marco Aurélio Mello, da dita Suprema Corte, determinou a soltura de presos condenados em segunda instância, pois fere a Constituição. Reafirmou seu entendimento de sempre sobre a matéria. A decisão do ministro só poderia ser reformada por ele mesmo ou pelo colegiado, segundo já sacramentado no STF. Mas o ministro Dias Tófolli cassou a sentença horas depois. Se posta em prática, o ex-presidente Lula estaria entre os beneficiados.

Epílogo. Conforme a Cena 1, ninguém sabe ainda quem manda no Brasil. Há meras suposições sobre isso. Já pela Cena 2, o PT levou para o STF muito lixo das curvas do rio, e esse lixo está soterrando a Constituição Federal. A mudança de regras no Brasil gira em torno do que pode prejudicar o Partido dos Trabalhadores. É o que se deduz da Cena 3. Conforme Cena 4, o diabo quando vem não se apresenta como tal e sim como anjo, assim como a ditadura de 1964 se apresentou como “a redentora”. Portanto, continua não sendo possível chamar o golpe pelo nome, nem a farsa de farsa. A Cena 5 permite concluir que o ministro Marco Aurélio (conhecido como voto vencido) ou não entendeu que é golpe, ou está no golpe, ou peitou o golpe, sabe-se lá por que.

Quem manda no Brasil? Mistério. O que há de certo é que, na marra, o dono pediu o que é seu de volta, e o Exército Brasileiro, que bate continência pra canalha, resolveu entregar. O PT que viveu a ilusão de ser maior está voltando ao tamanho original e ainda corre o risco de entrar para a ilegalidade.

Armando Rodrigues Coelho Neto - jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo

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