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Vírus enterra neoliberalismo como indigente

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O "neoliberalismo" é uma onda ideológica que serviu ao governo medíocre da Sra. Thatcher, hoje demonizada no Reino Unido pelos estragos que causou

(Andre Motta Araujo) A doutrina política ativada por Margareth Thatcher, nos anos 70, como reação à crise do Estado de bem estar social na Inglaterra, apoiada por razões diferentes pelo Presidente Ronald Reagan, foi a reconfiguração de uma ideologia articulada por Friedrich von Hayek, cientista político austríaco, ainda durante a 2ª Guerra.

O “neoliberalismo” é uma onda ideológica que serviu ao governo medíocre da Sra. Thatcher, hoje demonizada no Reino Unido pelos estragos que causou na base industrial inglesa, e essa ideologia entrou em colapso devido à mega crise financeira de 2008, atribuída com razão ao excesso de desregulamentação do mercado financeiro promovida pelo governo Reagan, pela qual bancos puderam controlar seguradoras, corretoras, gestoras de fundos e todo tipo de negócio financeiro, permitindo uma extrapolação de riscos fora de qualquer controle, demonstrando que o Estado é essencial no controle do mercado porque esse, ao contrário do que pregavam os neoliberais, NÃO SE AUTO CONTROLA. O mercado não é uma instituição, é um espaço dentro da moldura do Estado, que é quem lhe permite existir dentro de uma armadura legal onde se pressupõe limites que atendam ao interesse geral da população.

O NEOLIBERALISMO NUNCA SERVIU AOS PAÍSES EMERGENTES

Já na sua primeira concepção, a ideologia neoliberal se destinou a países ricos com um Estado de bem estar social grande demais para os recursos de seu Tesouro. Era o caso específico da Inglaterra, não da França, que manteve sua estrutura de proteção social e não comprou as lições da Sra. Thatcher.

A França manteve suas grandes estatais e seu Estado forte, da mesma forma a Alemanha e os países escandinavos, portanto nunca o neoliberalismo foi uma unanimidade MESMO ENTRE PAÍSES RICOS, por exemplo, o Canada vizinho dos EUA manteve um Estado tipo francês, com sólido sistema de saúde.

Para os países emergentes nunca o neoliberalismo foi uma solução para o crescimento porque inexistiam nesses países as condições para confiar ao mercado a tarefa de promover CRESCIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL, não havia, como não há, a base estrutural para o mercado andar sozinho.

Nos países emergentes o ESTADO TEM PAPEL CENTRAL na economia, como o Brasil comprovou de 1930 a 1975, quando foi o País que mais cresceu no mundo através da ação do Estado operando por grandes bancos públicos e grandes estatais da economia produtiva liderando o crescimento.

Erros de gestão do Estado liderando a economia não justificam seu enfraquecimento porque os ganhos de sua atuação foram muito maiores que erros conjunturais de alguns governos como os de Jango, de Figueiredo, de Sarney mas com sucessos nos governos Vargas, JK, Castello, Medici, Geisel, Itamar e Lula, com avaliações mais complexas sobre os governos Janio e FHC.

NA CRISE DO CORONAVÍRUS RESSURGE O ESTADO NECESSÁRIO

Os neoliberais dos anos 70 propunham o enfraquecimento do Estado e sua retirada do processo econômico, abandonando o CRESCIMENTO E A INCLUSÃO SOCIAL aos caprichos do mercado, o que é uma imensa fantasia, não é da natureza do mercado prover crescimento e muito menos inclusão social, o mercado nem teria essa capacidade. Mesmo que quisesse promover crescimento e inclusão, o mercado visa lucro para o investidor e nada mais do que isso e, às vezes, nem isso, bastam os bônus para os executivos e para os intermediários, se o investidor for pequeno o “mercado” não chora por ele.

A GLOBALIZAÇÃO É FILHA DO NEOLIBERALISMO

A ideia das “cadeias globais de suprimento” matou a indústria brasileira de auto peças, que tinha 600 empresas e empregava, em 1975, um contingente de 900 mil operários, com empresas símbolo como METAL LEVE, que faz parte de minha vida, e COFAP. A fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo chegou a empregar 43 mil metalúrgicos na década de 70, hoje não passam de 3 mil e poucos. Todo o ABC paulista era recheado de fábricas de autopeças, tudo liquidado pelas “cadeias globais de suprimento”, quando partes vitais dos veículos vêm prontas da Ásia, aqui só se monta. Isso explica a desindustrialização brasileira, TUDO PELA LÓGICA DO MERCADO e não da geopolítica.

Hoje, fábricas fundamentais dos EUA estão paradas à espera de componentes da China. Por que isso não foi previsto a NÍVEL DE ESTADO? O mercado só vê o lucro no curto prazo, não tem visão geopolítica, que não é sua obrigação, cabe ao Estado a visão de longo prazo, a mesma que fez Vargas brigar pela siderurgia no Brasil como forma de garantir o Pais, assim como JK lutou pela indústria automobilística e naval e Geisel pela indústria de bens de capital, tudo visão macro de Pais .

A DEPENDÊNCIA DA CHINA e da Ásia é produto do neoliberalismo cego e suas “cadeias globais de suprimento” que hoje deixam até a poderosa economia americana VULNERÁVEL, foi um mega erro de grandes países como os EUA e Brasil confiarem cegamente no “mercado”, versão neoliberal.

Agora na desgraça do Coronavírus, todos correm para o Estado para os proteger e resolver o problema. Mas os “mercados” não eram a solução?

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