Antônio
Ferreira
- Como
essa crise que estamos vivendo agora vai influenciar na estrutura
político-financeira de pequenos municípios?
Prof.
Doutorando Paulo Robério* -
Sem buscar maiores detalhes, para entender esta questão acredito ser
preciso primordialmente raciocinar numa perspectiva estrutural. Os
pequenos municípios brasileiros são altamente dependentes de
recursos oriundos da União e dos Estados; resultado, sobretudo, dos
efeitos da distribuição desigual dos processos de desenvolvimento
econômico e sociopolítico. Logo, esta crise da pandemia de
coronavírus, que tende a durar até 2022, como apontam alguns
estudos, vai ter um impacto danoso na saúde fiscal destes
municípios. A recorrente precariedade politico-financeira tende a se
agravar sensivelmente, exceto se políticas públicas de socorro a
estes municípios forem realizadas. Aliado a isso, diria ainda que,
sendo municípios, em sua maioria, com processos administrativos
insuficientes e muitas vezes precários, entre outros problemas, eles
terão enormes dificuldades para alocar adequadamente os parcos
recursos; provocando com isso sérios prejuízos a vida comunitária.
Antônio
Ferreira
- E
qual impacto de um adiamento das eleições causaria?
Prof.
Doutorando Paulo Robério -
Nesse caso, podemos aliar a reflexão a partir da lógica estrutural
às questões sociopolíticas, e aí o tema deve ser entendido, ao
meu ver, em cada particularidade. Em caso de uma administração
municipal que venha sendo feita a contento, os possíveis prejuízos
seriam minizados. Em casos contrários, quando as administrações não estão afinadas com as reais necessidades daquelas sociedades, o
adiamento corroboraria para amplificar os problemas. Em linhas
gerais, no entanto, a pandemia do coronavírus revela, nessa
perspectiva sociopolítica, ao menos dois gargalos: o quanto as
administrações, sobretudo em municípios pequenos, têm
dificuldades para identificar e atender as reais demandas da
sociedade, para além daquilo que é convencional; e o quanto é
preciso investir permanentemente em novas tecnologias para se adequar
a realidade que vem se transformando em ritmo cada vez mais
acelerado.
* Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento
Social (PPGDS)/Unimontes.


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